Em depoimento, ex-coordenador da Lei Seca do Rio admite atropelamento que causou morte de pedreiro

O ex-subsecretário do governo do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Felipe Mendes (foto), prestou nesta terça-feira (27) depoimento em audiência judicial na Comarca de Niterói, região metropolitana.

Mendes é acusado dos crimes de homicídio doloso, três lesões corporais e omissão de socorro pelo Ministério Público. O ex-coordenador da Lei Seca atropelou um homem que estava em uma bicicleta na madrugada do dia 25 de agosto do ano passado. O pedreiro Hermínio Costa Pereira, 58, morreu dois dias depois após morte cerebral provocada por traumatismo crânio-encefálico e cervical. No depoimento de hoje, ele admitiu o atropelamento e a ingestão de bebida alcoólica.

Em depoimento de cerca de uma hora, Mendes deu algumas justificativas para o acidente. Segundo ele, a via era muito escura, dificultando a visibilidade. Disse ainda que havia comprado a Mitsubiush Pajero há apenas seis meses e na hora da colisão tentou frear, mas não conseguiu. Sobre a ingestão de bebida alcoólica, admitiu ter tomado um gole de vinho.  Ele ainda é acusado de atropelar a dona de casa Silvana Braga de Souza, 30, e os dois filhos da mulher.  No depoimento, negou ter atingido os três.

“Eu realmente só tomei um gole de vinho. Se eu quisesse, poderia muito bem ter ocultado essa informação, mas assumi pela criação digna que recebi dos meus pais”, declarou.

Sobre a omissão de socorro às vítimas do atropelamento, o ex-coordenador da Lei Seca disse que estava abalado, sem condições de prestar socorro. Por ter entrado em pânico, Mendes declarou que vinha tomando medicamentos controlados devido à morte do pai, dez dias antes do acidente. Durante o depoimento, ele pediu desculpas à Giovane, filho do pedreiro. O rapaz compareceu à audiência, mas não estava na sala no momento para ouvir as desculpas. “Foi o pior dia da minha vida”, disse o ex-subsecretário Alexandre Felipe Mendes.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, Mendes dirigia um Pajero, em “zigue-zague”. O relatório do MP afirma que o subsecretário dirigia em alta velocidade e sob efeito de álcool até atingir as vítimas e terminar se chocando contra um poste na Estrada do Engenho do Mato, no bairro de Itaipu, em Niterói por volta da meia-noite.

O promotor de acusação questionou hoje o fato de Alexandre Felipe Mendes ter feito o teste de bafômetro apenas 12 horas após o acidente. Segundo o promotor, como conhecedor das leis de trânsito, o ex-coordenador da Lei Seca deveria ter realizado o exame na hora. Como justificativa, Mendes afirmou que foi retirado por um amigo do local do acidente e levado para o Corpo de Bombeiros. Segundo ele, a médica particular o orientou a tomar um remédio, o que o fez acordar somente às 16h do dia seguinte.

Prestaram ainda depoimento quatro testemunhas de defesa. Dentre elas o autônomo Júlio César Monteiro, que disse ter presenciado o acidente. Segundo ele, o carro que atropelou Silvana e os dois filhos era de cor prata e não o preto do ex-subsecretário.

A próxima semana é reservada para a promotoria e a defesa apresentarem as alegações finais para que o juiz Peterson Barroso Simões tome a decisão contra ou a favor do réu.

Fonte: Uol Noticias

Deixe um comentário