Linha Amarela: quatro pessoas morrem após caminhão derrubar passarela

Um caminhão basculante derrubou uma passarela na Linha Amarela, altura de Pilares, na manhã desta terça-feira. Segundo a concessionária Lamsa, responsável pela via expressa, o acidente deixou quatro mortos e cinco feridos.
Um táxi placa KPP 5943, um Palio placa KWH 1367 e uma moto foram esmagados na queda da estrutura. Bombeiros fizeram o resgate das vítimas e trabalhavam na retirada da passarela. Dois dos quatro mortos estavam em cima da passarela no momento do acidente.
A terceira vítima foi retirada de dentro do táxi que ficou embaixo da passarela, e a quarta estava dentro do Palio.
Os mortos foram identificados com Célia Maria, de 64 anos, que foi arremessada da passarela; Adriano P. de Oliveira, de 26 anos, que caiu dentro do valão que divide as pistas da via expressa; Renato P. Soares, de 62 anos, motorista do Palio; e Alexandre G. de Almeida, motorista do táxi.
Ficaram feridos o motorista do caminhão Luis Fernando Costa, de 31 anos, que foi levado para o Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca; o motoqueiro Jairo Zenati, de 44 anos, encaminhado para o Hospital Federal de Bonsucesso; Glaucia P. Andrade, de 56 anos, que foi resgatada por um helicóptero e levada para o Hospital estadual Alberto Torres, em São Gonçalo; Luiz Carlos Guimarães, de 70 anos, socorrido no Hospital municipal Salgado Filho, no Méier; e Liliane de Souza Rangel, de 33 anos, encaminhada para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro.

Vídeo mostra momento exato em que caminhão derruba passarela

Segundo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, o trabalho de resgate das vítimas foi concluído por volta das 12h45m. O corpo do taxista Alexandre de Almeida foi o último a ser retirado. Com o fim do trabalho dos bombeiros, a perícia liberou o local do acidente para o início da operação de retirada dos destroços da estrutura, que ainda não tem previsão de término.

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Caminhão trafegava com caçamba levantada

Segundo testemunhas, a caçamba do caminhão placa LLN 2225, da empresa Arco da Aliança, que, de acordo com o site da prefeitura seria credenciada pela Comlurb, estava levantada antes de colidir na estrutura, que fica entre as saídas 4 e 5. Motorista da Linha 315 (Recreio-Central), Antonio Carlos da Silva, disse que viu o momento exato do acidente. Ele conta que ainda tentou avisar ao motorista que a caçamba estava levantada: — Ele estava correndo muito e não deu tempo de avisar. Só tive tempo de frear e assistir toda a tragédia. Parecia guerra. Vi quando os dois carros foram esmagados pela passarela, e uma senhora que passava em cima voou longe — contou o motorista.

Imagens das câmeras da Lamsa comprovaram a irregularidade. Uma delas flagrou o momento em que o caminhão, com a caçamba levantada, derruba a passarela. Procurada pelo GLOBO, a empresa informou que enviou um advogado e outro representante para o local. Já a assessoria do prefeito Eduardo Paes disse que o veículo não presta serviço para a prefeitura, mas é autorizado a fazer a coleta particular de lixo. Segundo a Lamsa, o caminhão trafegava em horário restrito para veículos de carga. A Polícia Civil informou que foi aberto um inquérito na 44a DP (Inhaúma) para apurar as circunstâncias do acidente.

O motoboy Luís Fernando da Silva, de 22 anos, escapou por pouco do acidente. Ele, que seguia para o trabalho na Barra, ouviu o barulho da queda da passarela a cerca de 200 metros de distância. O rapaz conta ainda que viu um homem ser arremessado para dentro do canal e uma senhora caiu na via e ficou agonizando até a morte.

— Estou em estado de choque. Eu poderia ter sido atingido também. O meu sentimento quando vi aquele cenário de horror foi de impotência, pois não conseguia ajudar as pessoas.
Muitas vítimas estavam gritando e pedindo socorro, entre elas uma mulher que estava dentro do Pálio, lembra o motoboy. O homem que caiu no canal foi resgatado com vida por um morador. Mas a vítima, Adriano P. Oliveira, de 26 anos, não resistiu à queda e acabou morrendo no local.

— Quando está marcado para acontecer, não tem o que fazer. Tive sorte. Estou vivo. Mas foi a pior cena que vi e presenciei em toda a minha vida — afirmou Luís Fernando.
Luiz Cláudio Ferreira, primo de Adriano, disse que o jovem estava indo para o trabalho numa agência bancária, como fazia todos os dias, sempre no mesmo horário. De acordo com Luiz, Adriano era um rapaz de muitos sonhos e tinha acabado de concluir a autoescola. O jovem era filho único e morava na comunidade Águia de Ouro, em Inhaúma, e precisava passar pela passarela para acessar a Dom Hélder Câmara. — Espero que o motorista desse caminhão seja responsabilizado. Meu primo morreu do nada nesse acidente. Ele era um ótimo rapaz e que conhecia desde criança — afirmou o primo, que soube da notícia pela televisão.

Célia Maria, que foi arremessada da passarela no momento do acidente, seguia para a feira, de acordo com seu cunhado, Renê Rodrigues. Ela era moradora de Del Castilho e fazia com frequência esse caminho. De acordo com Renê, Célia era separada e tinha dois filhos. – Ela era uma mulher super tranquila, que adorava muito os filhos – disse Renê.

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