Bandeira branca contra a violência das ruas e estradas brasileiras.

"Na defesa da civilidade e da harmonia na circulação viária do brasileiro."

 

A perda de um filho é tão antinatural que não há em nossa língua um termo que defina essa situação.

Porém, o paradoxo em nosso país é que, por mais antinatural que seja o trânsito está matando como nunca os nossos jovens.

Para nós, pais, parentes e amigos de vítimas de trânsito, a dor intensa do primeiro momento, aumenta a cada dia. Em primeiro lugar, pela certeza de que não teremos mais nossos jovens juntos de nós. Em segundo lugar, pela constatação cruel de que, pelo descaso e omissão de autoridades e de parcela expressiva da sociedade, novos pais órfãos de filhos juntar-se-ão ao já gigantesco contingente de eternas vítimas da violência do trânsito.

Contudo, dessa indescritível dor, há que tirarmos uma lição. A família, nesse momento, deve continuar firme nos seus propósitos. Permanecer forte e seguir em frente, sem jamais virar as costas para a vida. Não há alternativa para aqueles que são alcançados por tragédias tão marcantes como a perda de um filho de maneira prematura. Nossa missão passa a ser: não desanimar, ser solidário, ter fé e permanecer produtivo… Esse deve ser sempre o nosso lema.

O que aprendemos desta trágica experiência? Podemos garantir que aprendemos, aprendemos muito!

O que modificou em nossas vidas? Muita coisa… É verdade!

E como fica a cabeça dos pais de uma vítima fatal de trânsito? Como fica a família? Já pensaram nisso? Famílias permanentemente enlutadas… Dia dos Pais… Dia das Mães… Natal sem eles… Aniversários… Sonhos e esperanças brutalmente interrompidas… Netos que nunca teremos… Pensaram nisso também?

Se nunca pensaram é porque tiveram a dádiva de não serem alcançados pela tragédia. Entretanto, isso não imuniza ninguém. Sabemos que, é extremamente desconfortável para muitos o assunto “dor”, mas vamos falar um pouco de dor, sim! Não podemos ficar indiferentes à dor de tantas famílias que perdem seus familiares todos os dias em nossas cidades em acidentes e tragédias de trânsito. A verdade é que, não sofremos apenas por perdas decorrentes de tragédias de trânsito, mas sim, por todo o tipo de perda. Então, constatamos a triste realidade da banalização da vida, seja por bala perdida, por violência doméstica e até, por violência verbal que, muitas vezes maltrata e fere mais que uma agressão física. As notícias das mais variadas formas de perdas fatais, entram pelas nossas telinhas todos os dias como fatos corriqueiros e, se perdem entre manchetes de traficantes, políticos corruptos, bandidos, sonegações, guerras, atentados etc., ocupando um espaço que, deveria ser ocupado pela VIDA, ou pelo pleno direito de viver em paz.

O que está acontecendo? A nossa sociedade ficou totalmente insensível? Estão acreditando que tragédias só acontecem com os outros? O que passa pela cabeça de nossos governantes, dos senhores da lei, da própria sociedade organizada para não adotar atitudes firmes e medidas objetivas para combater essa tragédia absolutamente fútil, previsível e, tantas vezes anunciada?

Nosso fardo é pesado, mas encontramos forças para suportar além do nosso, o peso da dor de outros irmãos.

Como vítimas de trânsito, podemos e devemos cobrar respostas daqueles que detém o poder. Reservamo-nos o direito de cobrar das autoridades constituídas, soluções definitivas, respeito e justiça. E, o que temos visto são estatísticas dos acidentes e tragédias de trânsito aumentando todos os anos, frequentemente por culpa de irresponsáveis que, desafiam a lei e os direitos de vida de cada um de nós. A impunidade, a omissão das autoridades, a benevolência da lei e a lentidão da justiça.

Temos a cada ano, milhares de jovens habilitando-se para o trânsito e, sem perceber, alistando-se nessa guerra selvagem onde o inimigo anônimo e disfarçado, pode ser que cruze seu caminho.

“SENHORES, GUERRAS MATAM MENOS QUE O TRÂNSITO”

A pergunta que continuaremos a fazer até que, atitudes sejam tomadas é: Continuaremos a presenciar a morte de nossos filhos como frutos maduros caindo de árvores?

Lembrem-se:

- “A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”.

*Fernando Alberto da Costa Diniz é pai de Fabrício Diniz – vítima fatal, falecido aos 20 anos em 10 de março de 2003 em trágico acidente de trânsito na Avenida das Américas, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Fabrício faleceu junto com mais duas amigas, Mariana e Juliane, todos sentados no banco de trás de um automóvel Peugeot sem uso de cinto de segurança. Motorista e carona escaparam ilesos, Marcelo Kijak, o condutor irresponsável está foragido e procurado pela Interpol em todo o mundo.

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