{"id":1214,"date":"2012-04-11T11:22:24","date_gmt":"2012-04-11T14:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/transitoamigo.com.br\/website\/?p=1214"},"modified":"2012-04-11T11:22:38","modified_gmt":"2012-04-11T14:22:38","slug":"rj-familia-luta-ha-sete-anos-por-justica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transitoamigo.com.br\/website\/rj-familia-luta-ha-sete-anos-por-justica\/","title":{"rendered":"RJ: fam\u00edlia luta h\u00e1 sete anos por Justi\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h5>Engenheiro fala sobre a morte do pai, v\u00edtima de um motorista embriagado, e relembra a dor da perda e da impunidade<\/h5>\n<p>No dia 26 de junho de 2005, o engenheiro de sistemas Cezar Sena Moniz recebeu uma not\u00edcia que transformaria a sua vida: seu pai havia morrido v\u00edtima de um grave acidente de tr\u00e2nsito. Aos 69 anos, o engenheiro aposentado, Claudio Mazzei Moniz, teve seu carro atingido por um motorista de 21 anos, que apresentava sinais de embriaguez.<\/p>\n<p>O carro de Claudio ficou destru\u00eddo. Seu corpo, segundo conta Cezar, em peda\u00e7os. \u201cEu recebi a not\u00edcia por volta de 6h30. Foi um primo dele que ligou, pois o telefone deste primo era o primeiro no celular do meu pai. Por coincid\u00eancia ele passava pelo local quando recebeu a liga\u00e7\u00e3o e me avisou\u201d, relembra o engenheiro.<\/p>\n<p>Ao saber que o pai havia sofrido um acidente, Cezar pegou um t\u00e1xi e foi at\u00e9 o local. Ao chegar e ver como estava o carro, imaginou que s\u00f3 um milagre salvaria seu pai e infelizmente isso n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<h6><strong>\u201cN\u00e3o queria que minha fam\u00edlia visse aquilo\u201d<\/strong><\/h6>\n<p>O acidente aconteceu na altura do Posto 8 em Ipanema, no Rio de Janeiro. O carro do aposentado foi atingido por outro ve\u00edculo que vinha em alta velocidade. O motorista que provocou o acidente \u201cderrubou dois coqueiros e passou literalmente sobre o carro de meu pai\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a per\u00edcia, com libera\u00e7\u00e3o das autoridades presentes, Cezar resolveu ajudar a remover o corpo do pai. \u201cRealmente foi uma cena bastante dif\u00edcil para mim, mas pensei que precisava resolver porque n\u00e3o queria que minha fam\u00edlia visse aquilo\u201d, repetiu o engenheiro.<\/p>\n<p>O rapaz que estava no outro carro foi socorrido pelos amigos. Segundo o filho da v\u00edtima, ele estava em uma pick-up blindada e teve escoria\u00e7\u00f5es leves. O jovem foi levado \u00e0 delegacia onde ficou por cerca de uma hora prestando depoimento depois foi liberado.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Vida pelo avesso<\/strong><\/h6>\n<p>\u201cA\u00ed nossa vida come\u00e7ou a virar, uma virada de 360\u00ba graus, para conseguir advogados, encaminhar tudo&#8230; Iniciamos uma verdadeira luta de Davi contra Golias e, infelizmente, ainda vivemos isso. \u00c9 uma desigualdade muito grande\u201d, relata. De acordo com Cezar, o rapaz que provocou o acidente \u201c\u00e9 de fam\u00edlia abastada, o pai \u00e9 dono de empresa de navios\u201d, completou.<\/p>\n<p>No dia do acidente, o respons\u00e1vel pela morte do aposentado n\u00e3o fez o teste do baf\u00f4metro. \u201cNaquela \u00e9poca n\u00e3o era obrigado\u201d, conta Cezar, mas \u201cbombeiros e policiais nos falaram que ele estava notoriamente embriagado. Al\u00e9m disso, por meio do boleto da casa noturna que ele estava descobrimos que ele tinha ingerido oito chopes, energ\u00e9ticos e \u2018caipivodkas\u2019\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cConseguimos, a partir de promotores, enquadrar como dolo eventual. Ele foi condenado a quatro anos e teria cumprir penas alternativas. N\u00f3s at\u00e9 sugerimos algumas coisas, por exemplo, que ele ficasse restrito todos os finais de semana a acompanhar os bombeiros em trabalhos de resgate, mas n\u00e3o pode, porque disseram que isso iria traumatiza-lo. Sugerimos tamb\u00e9m que ele fizesse trabalhos volunt\u00e1rios em uma associa\u00e7\u00e3o que atende tetrapl\u00e9gicos, mas isso tamb\u00e9m n\u00e3o foi aceito\u201d, contou Cezar.<\/p>\n<p><strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<h6><strong>A\u00e7\u00f5es <\/strong><\/h6>\n<p>Ainda segundo o engenheiro, \u201co m\u00e1ximo que ele teria que fazer seria trabalhar como office boy em uma institui\u00e7\u00e3o do governo. Isso para n\u00f3s \u00e9 um absurdo. Chega a degradar a profiss\u00e3o de office boy\u201d. Mas nem a pena alternativa foi cumprida, os advogados do homem que causou o acidente entraram com diversos recursos e o caso segue sem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia da v\u00edtima tamb\u00e9m entrou com uma a\u00e7\u00e3o c\u00edvel, por danos morais. O valor a ser pago para cada um dos filhos do aposentado seria de R$ 100 mil. Cezar e os irm\u00e3os ganharam a causa, mas n\u00e3o receberam. \u201cAcharam que esse valor era um absurdo. Depois soubemos que ele pagou cerca de R$ 400 a R$ 500 mil para o advogado que o defende\u201d, comentou o engenheiro.<\/p>\n<p>Para tentar aplacar a dor, Cezar se associou \u00e0 ONG Tr\u00e2nsito Amigo, liderada por Fernando Diniz. \u201cFoi a maneira de tentar ajudar outras v\u00edtimas que tiveram que suportar essa dor. Tentar ajudar para que n\u00e3o fiquem com essa sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, impot\u00eancia\u201d, comenta.<\/p>\n<h6><strong>Invers\u00e3o <\/strong><\/h6>\n<p>Mas Cezar afirma ainda que, depois da morte do pai, o que mais entristece sua fam\u00edlia \u00e9 a indiferen\u00e7a da fam\u00edlia do rapaz que provocou o acidente. Em momento algum eles foram solid\u00e1rios com a fam\u00edlia do aposentado.<\/p>\n<p>\u201cA indiferen\u00e7a deles d\u00f3i demais na gente. Eles n\u00e3o se solidarizaram, pelo contr\u00e1rio, sentimos que existe uma tentativa de invers\u00e3o de culpados. Como por exemplo quando o advogado deles chegou a perguntar o que o meu pai estava fazendo aquela hora no Arpoador\u201d, conta Cezar, em um misto de revolta e desgosto.<\/p>\n<p>Por morarem na mesma cidade, Cezar e a fam\u00edlia sempre t\u00eam noticiais do homem que foi respons\u00e1vel pela morte de seu pai. \u201cEsse mundo \u00e9 pequeno. Temos conhecidos que tamb\u00e9m o conhecem. Ele anda normalmente, com a mesma vida. Conhecidos j\u00e1 o viram embriagado, dirigindo. A sensa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 de que a vida dele n\u00e3o mudou em nada&#8230;\u201d<\/p>\n<h6><strong>A dor <\/strong><\/h6>\n<p>Cezar luta diariamente com a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, enfrentando a \u201clentid\u00e3o do judici\u00e1rio, com recursos e mais recursos&#8230;\u201d, continuamos bastante frustrados. Para ele, ainda \u00e9 tudo muito doloroso.<\/p>\n<p>\u201cFui eu que tirei meu pai aos peda\u00e7os do carro! Sou eu que convivo at\u00e9 hoje com essa imagem diariamente em minha cabe\u00e7a! Serei eu a alentar sempre minha fam\u00edlia ocultando os detalhes que levarei comigo para sempre. Serei eu que farei o poss\u00edvel e imposs\u00edvel para tentar educar, conscientizar e apoiar qualquer iniciativa que venha a coibir, inibir e acalentar todos os vitimados de transito di\u00e1rios\u201d, relata o engenheiro.<\/p>\n<p>\u201cDif\u00edcil, dif\u00edcil eu ter sido condenado a conviver com as imagens do meu pai dentro do carro. Minha pena pagarei at\u00e9 o fim dos meus dias. \u00a0J\u00e1 a dele&#8230;\u201d, completa, sem conseguir imaginar quando ser\u00e1 o fim dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.band.com.br\/noticias\/cidades\/noticia\/?id=100000494963\">Band<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Engenheiro fala sobre a morte do pai, v\u00edtima de um motorista embriagado, e relembra a dor da perda e da impunidade No dia 26 de junho de 2005, o engenheiro de sistemas Cezar Sena Moniz recebeu uma not\u00edcia que transformaria a sua vida: seu pai havia morrido v\u00edtima de um grave acidente de tr\u00e2nsito. 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