{"id":1478,"date":"2012-11-07T16:41:28","date_gmt":"2012-11-07T19:41:28","guid":{"rendered":"http:\/\/transitoamigo.com.br\/website\/?p=1478"},"modified":"2012-11-07T16:42:04","modified_gmt":"2012-11-07T19:42:04","slug":"apos-perder-filho-em-acidente-engenheiro-se-torna-ativista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/transitoamigo.com.br\/website\/apos-perder-filho-em-acidente-engenheiro-se-torna-ativista\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s perder filho em acidente, engenheiro se torna ativista"},"content":{"rendered":"<h5>O engenheiro brasileiro Fernando Diniz nunca esquecer\u00e1 uma noite, em 2003, quando telefonou para o celular de seu filho Fabr\u00edcio e um policial atendeu dizendo que acontecera &#8220;um acidente muito grave&#8221;.<\/h5>\n<p>Ao chegar ao local, Diniz descobriu que seu filho estava com amigos em um carro que bateu em um poste e capotou. Ele viu o corpo de Fabr\u00edcio estirado na pista.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 a pior dor que pode acometer um ser humano&#8221;, disse Diniz. Ele tamb\u00e9m descobriu que o motorista, que n\u00e3o ficou ferido, praticava um racha. O acidente matou n\u00e3o apenas Fabr\u00edcio, mas tamb\u00e9m duas jovens de 18 anos que estavam no mesmo carro. O motorista permanece foragido da Justi\u00e7a at\u00e9 hoje, diz Diniz.<\/p>\n<p>Dias ap\u00f3s enterrar o filho, Diniz come\u00e7ou a procurar outras fam\u00edlias com hist\u00f3rias parecidas.<\/p>\n<p>&#8220;Em quase todos os casos, o principal sentimento das fam\u00edlias era a revolta contra o motorista causador do acidente. \u00c9 comum que eu tenha que dissuadi-las de fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Diniz criou a ONG Tr\u00e2nsito Amigo, estudou seguran\u00e7a de tr\u00e2nsito e passou a participar de palestras e audi\u00eancias p\u00fablicas apoiando uma legisla\u00e7\u00e3o mais dura contra motoristas causadores de acidentes.<\/p>\n<p>Sua luta \u00e9 para evitar acidentes como o que matou o motorista de \u00f4nibus Marcos Aur\u00e9lio Menarbini Pereira, de 25 anos, em agosto de 2005.<\/p>\n<p>A moto dele foi atingida por um carro cujo motorista participava, b\u00eabado, de um racha no tr\u00e2nsito de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP).<\/p>\n<p>&#8220;Meu irm\u00e3o costumava cuidar da nossa m\u00e3e idosa. Ela n\u00e3o tinha problemas de sa\u00fade, mas duas semanas ap\u00f3s a morte dele, ela teve seu primeiro infarte. Agora est\u00e1 sempre doente. Minha fam\u00edlia ficou totalmente desestabilizada&#8221;, afirmou Sandra Menarbini.<\/p>\n<h2>Leis e puni\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>O caso do irm\u00e3o dela \u00e9 o exemplo de uma quest\u00e3o t\u00e9cnica que ainda divide a Justi\u00e7a: acidentes causados por motoristas b\u00eabados podem ser considerados crimes dolosos (com inten\u00e7\u00e3o de matar)?<\/p>\n<p>&#8220;O motorista que matou Menarbini assumiu o risco de matar algu\u00e9m quando bebeu e se envolveu em um racha de rua. Ele foi sentenciado a 14 anos de pris\u00e3o&#8221;, disse o promotor Jos\u00e9 Heitor dos Santos.<\/p>\n<p>Mas os ju\u00edzes brasileiros n\u00e3o costumavam adotar esse tipo de interpreta\u00e7\u00e3o at\u00e9 a lei seca de 2008, que estabelece porcentagens m\u00e1ximas de \u00e1lcool no sangue de motoristas.<\/p>\n<p>Antes da lei e at\u00e9 atualmente, grande parte dos motoristas envolvidos em acidentes com morte tende a receber senten\u00e7as mais brandas, como contribuir para ONGs ou pagar cestas b\u00e1sicas \u00e0s fam\u00edlias das v\u00edtimas, uma vez que seus crimes acabam sendo considerados culposos. Para Diniz, o pagamento de cestas b\u00e1sicas \u00e9 uma ofensa, por &#8220;equiparar a vida de pessoas a alguns gr\u00e3os de arroz&#8221;.<\/p>\n<p>Ele participou da elabora\u00e7\u00e3o do projeto de lei 798\/07, que tramita no Senado e prop\u00f5e que penas alternativas a quem praticou crime de tr\u00e2nsito sejam cumpridas em ambientes relacionados ao resgate, atendimento ou recupera\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas &#8211; como acompanhar atendimento de primeiros socorros ou o tratamento de pessoas com sequelas de acidentes.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, especialistas ouvidos pela BBC Brasil concordam que leis mais r\u00edgidas n\u00e3o bastam para prevenir acidentes e pedem mais investimentos em fiscaliza\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e2nsito e conserva\u00e7\u00e3o de estradas e ruas.<\/p>\n<p>O especialista de tr\u00e2nsito Philip Gold afirmou que o governo precisa melhorar a sinaliza\u00e7\u00e3o em vias, a conserva\u00e7\u00e3o da malha rodovi\u00e1ria e trechos de estradas com defeitos de projeto.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m defende campanhas. &#8220;\u00c9 preciso mudar a mentalidade das pessoas para que elas passem a ter o h\u00e1bito de n\u00e3o dirigir ap\u00f3s ingerir bebida alco\u00f3lica. Assim como foi com o uso do cinto de seguran\u00e7a, \u00e9 preciso que a prioridade para os motoristas passe a ser a seguran\u00e7a e n\u00e3o apenas a multa&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Fonte: <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2012\/09\/120919_transito_brasil_sub_lk.shtml\">BBC NEWS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro brasileiro Fernando Diniz nunca esquecer\u00e1 uma noite, em 2003, quando telefonou para o celular de seu filho Fabr\u00edcio e um policial atendeu dizendo que acontecera &#8220;um acidente muito grave&#8221;. Ao chegar ao local, Diniz descobriu que seu filho estava com amigos em um carro que bateu em um poste e capotou. 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